quinta-feira, 7 de julho de 2011
FILHOS DE IGUASSÚ
Sábado dia 02/07, ao acordar, já tinha em mente que uma das atividades do SINTONIA CULTURAL naquele dia seria ir ao “Espaço Cultural Sylvio Monteiro”, popularmente conhecido como “Casa da Cultura de Nova Iguaçu”, para ter um dedo de prosa com o Professor Ney Alberto,historiador e profundo conhecedor da cidade.
Foi através de seu trabalho e das aulas com o professor de História Waldick Pereira (in memoriam)- que juntamente com Ney Alberto, pesquisava a fundo, guardando e catalogando documentos antiguíssimos, raros, sobre Nossa Senhora da Piedade do Iguassú (local de origem da cidade),Maxambomba (o local onde foi construída a estrada de ferro que corta o município), nome pelo qual ficou conhecido por muito tempo e, finalmente sobre Nova Iguaçu o nome que vingou, fincou raízes e hoje abriga (apesar das emancipações) quase um milhão de habitantes – que vários jovens aprenderam a gostar, com vedadeira paixão, da história da cidade. Os jovens eram capazes de passar horas ouvindo o Professor Waldick narrar a história da cidade e ficavam enlevados quando visitavam a sala que eles alugaram no centrão de Nova Iguaçu para abrigar todo o acervo colhido e guardado com carinho e dedicação.
A conversa foi bastante informal e não foi planejada para ser uma entrevista, falamos (eu ouvi mais)sobre a situação geral do patrimônio material e imaterial da cidade, com pesar, ouvi o professor falar que o destino da casa da “Fazenda São Bernardino” era desmoronar, pois, depois de ter sido desapropriada para ser tombada na década de 70, o governo municipal não indenizou a família, a qual foi reintegrada na pose do imóvel e ainda moveu ação pelos danos sofridos (desaparecimento do mobiliário, quadros, louça, dois incendios....), foi muito triste saber que o casarão terá como fim repousar qual poeira em solo onde antes foi testemunha de uma época importante. Mais uma perda fruto do descaso da municipalidade.
Confesso que fiquei emocionada, quase às lágrimas ao ter aquela conversa, saí de lá com vontade de falar sobre, de dividir minha emoção.
Nova Iguaçu é cidade grande sim. Tem uma história belíssima (quem lê, ouve e visita certos locais, dificilmente não se apaixona, a não ser que já esteja com a sensibilidade muito estesiada). Cidade que precisa urgentemente retomar a viagem por sua bagagem histórica e mostrar aos novos o valor que possui. Por certo, alguns leitores discordarão ou lerão com clara desconfiança as afirmações que faço neste artigo. A esses leitores esclareço: Nova Iguaçu é cidade cuja identidade histórica e cultural é muito bonita, porém, aos longo dos muitos e muitos anos, teve seu patrimônio histórico seja arquitetônico ou imaterial, destruído pelo descaso de governos que nunca se interessaram em promover o município, deixando correr solta a imagem de local onde a criminalidade e violência são o cartão postal.
Criminalidade e violência rondam nossas cidades pelo Brasil a fora, os motivos de tal quadro são
nossos velhos conhecidos, então, não seja Nova Iguaçu, nem os demais municípios da Baixada
Fluminense despresados e classificados como meros repositórios de trabalhadores esgotados que
todos os dias retornam às cidades dormitório. Temos passado longínquo e presente, o futuro a
quem pertence? A quem pertence a tarefa de reanimar a vida cultural de Nova Iguaçu? Quem viver verá. Verá? Não queremos esperar pelos que viverão para ver. Desejamos o fervilhar cultural recomeçando desde já! Articulado em teia de ações culturais que abrigue todos os estilos, todas as manifestações.
Onde a “Arcádia Iguaçuana de Letras”? Onde o “Teatro Arcádia”?
Não, não é saudosismo. Queremos estar otimistas, com o olhar caminhando na contramão da realidade que é imposta aos cidadãos de Nova Iguaçu e de todos os municípios da Baixada
Fluminense (todos filhos de Iguassú). Neste caso, “dirigir na contramão” não é crime é a solução para o revigorar cultural da Baixada Fluminense e Nova Iguaçu.
Por Katia Soares e Fernanda Botelho
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